Palavra do Presidente

Todos pela Marcha Nacional das Mulheres Negras



Não ao racismo, basta de preconceito, por uma nação justa e igualitária em oportunidades a todos (as)

Apesar do dia 20 de novembro ser uma data emblemática para os movimentos sindical, sociais e populares, a luta da Central única dos Trabalhadores (CUT) contra o racismo tem sido permanente. Principalmente porque, infelizmente, é no mercado de trabalho que a discriminação e o preconceito mais se manifestam no Brasil, apesar de todas as conquistas da classe trabalhadora e de suas representações, das políticas públicas de inclusão, como o sistema de cotas nas universidades.

Para a CUT/MG, construir uma sociedade com oportunidades e tratamentos iguais, o combate ao racismo deve ser contínuo, organizado e unificado com todas as forças democráticas e populares, pois o país é extremamente racista, preconceituoso e injusto com as minorias.

A luta dos movimentos negros e social e da população garantiram a inserção do racismo como crime inafiançável e imprescritível na Constituição e conquistou a criação do Estatuto da Igualdade Racial, sancionado pelo presidente Lula em 2010 e transformado na Lei 12.288. O Estatuto é uma legislação sobre os direitos da população negra como um todo, visando a correção das desigualdades raciais e a promoção da igualdade de oportunidades.

Mas, apesar de o último censo do IBGE ter registrado que pretos e pardos somam mais da metade da população, negros e negras ainda ocupam os piores postos e condições de trabalho, recebem remuneração menor e são discriminados pela cor da pele.

A CUT/MG, como entidade que sempre lutou contra toda e qualquer forma de discriminação, participa ativamente do debate por intermédio da Secretaria de Combate ao Racismo juntamente com os movimentos sociais, coletivos de negros e negras, UFU (Universidade Federal de Uberlândia), Levante Popular, Kizomba e outros, que estão encaminhando o debate na Região do Triângulo da MARCHA NACIONAL DAS MULHERES NEGRAS. A discussão está posta em todos os coletivos sindicais e a construção será para uma grande MARCHA a Brasília, no dia 13 de maio de 2015.

O ano de 2014 não deixará saudades à persistente luta conta o racismo. O mundo assistiu perplexo às diversas manifestações de preconceito racial no Futebol, lamentáveis fragrantes de desrespeito aos jogadores negros na Copa do Mundo e mesmo antes dela. Os episódios continuaram durante as eleições, onde candidatos desnudam seu despreparo ao lidar com o povo que constrói a riqueza do país, em demonstrações preconceituosas e falas infelizes durante a campanha de 2014.

Fatos como estes, que ocorreram neste ano, e a visível intolerância das pessoas em falar, ofender e discriminar, sejam negros (as), nordestinos, mulheres, demostram que mesmo sendo crime inafiançável, mesmo com a velada frase de “no Brasil não existe racismo/e ou preconceito”, a barbárie ganhou as manchetes dos jornais e da TV. O mais absurdo ainda: ninguém foi punido, limitando-se a choros e desculpas, demonstrando que a luta para eliminar o preconceito e o racismo arraigados na sociedade brasileira ainda está longe de terminar.

A CUT/MG não pode se furtar ao debate e convoca todos os Coletivos de Negras e Negros do Estado, presentes nos sindicatos e movimentos parceiros, a debater em suas instâncias a construção da MARCHA NACIONAL DAS MULHERES NEGRAS para maio de 2015. E convoca todas e todos a se manifestaram contra o afloramento da intolerância que divide o país em ricos e pobres, brancos e negros, heteros e homo, e assim por diante. Não ao racismo, basta de preconceito, por uma nação justa e igualitária em oportunidades a todos (as).


Escrito por: Elaine Cristina Ribeiro, secretária de Combate ao Racismo da CUT/MG e coordenadora geral do Sind-Ute.
20/11/2014