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Sistemas que mais comercializam a educação têm os piores resultados educativos

O professor americano Gustavo Fischman encerrou o primeiro dia de conferências do IV Encontro do Movimento Pedagógico Latino-Americano, que acontece no Centro de Convenções do Actuall Hotel, na região metropolitana de Belo Horizonte. Ele revelou que os sistemas que mais comercializaram a educação são os que tiveram os piores resultados educativos, conforme dados da Unesco e da OCDE (Organização de Cooperação do Desenvolvimento Econômico).


Titular no Mary Lou Fulton Teacher’s College do Arizona State University e coordenador da área de Comunidades de Pesquisa, Conhecimento Público e Democracia da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso/RJ), Gustavo Fischman, disse que experiência mundial demonstra que os sistemas que mais avançaram na privatização e na comercialização, em fazer os docentes menos profissionais e mais dependentes das tecnologias preconcebidas, muito simplistas, os resultados obtidos nas provas acadêmicas são reprovados pelos mesmos organismos que querem privatizar. “Os resultados desses sistemas são ruins. São dados deles e não os meus. Dados da OCDE e da Unesco”, ressaltou.


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Para Gustavo Fischman, as organizações sindicais têm participação fundamental neste processo de profissionalização dos trabalhadores e trabalhadoras da educação. “As pessoas que falam que a solução dos problemas educativos é destruir o sindicato e demitir os docentes ineficientes não tem comprovação científica de que isso funciona”, alertou ele.


Segundo o professor norte americano, os países que melhor tratam os docentes, que tem melhor diálogo com sindicatos são países com melhor desempenho educativos. “Inclusive nos EUA, o estado que tem maior taxa de sindicalização dos docentes, que tem melhor regulação do sistema, tem, sozinho, resultados melhores que o da Finlândia”, comentou Fischman, referindo-se ao estado de Massachusetts.


Gustavo Fischman lembrou que a palavra mais usada para definir a situação da escola pública hoje é “crise na educação”. Dessa forma, os meios de comunicação que têm interesses na privatização iniciam a campanha para fomentar essa crise e colocando os professores como os vilões dessa situação. Com isso, o setor privado enxerga a crise como oportunidade de negócio para privatizar e comercializar.


Fischman disse que não pode conceber a profissionalização dos docentes sem a defesa clara do espaço escolar como local de trabalho, seguro para os educadores e para os alunos e neste processo o sindicato tem muita força. “Não consigo entender profissionais docentes sem boa capacitação e isso se consegue somente com sindicatos fortes”, reiterou.


O IV Encontro reúne cerca de 750 dirigentes sindicais de 21 países da América Latina e Europa, além de representantes dos sindicatos filiados à CNTE. A programação tem atividades até sexta-feira, 17.


Fonte CNTE